Sobre ser “do lar”

Nessa última semana nos deparamos com uma reportagem da Veja que foi um tanto quanto, esquisita. Todo mundo tem suas reservas em relação a revista, seja por fazer parte de uma mídia ‘golpista’ seja por suas reportagens muitas vezes sem noção.

Eu não li a reportagem sobre a esposa do atual Vice Presidente da República, apenas soube das máximas da revista em relação a mulher “Bela, Recatada e do Lar”. ok. Não tenho mérito para comentar sobre política, até porque me sinto bastante ignorante no assunto. O objetivo desse post é falar da minha experiência como mulher, so far.

Eu tenho 24 anos e fui criada com uma mentalidade que era só eu estudar que tudo ia ser ótimo na minha vida. Pois é. Ainda não cheguei nesse ponto, mas já tenho diploma de ensino superior e não estou muito certa do que fazer com ele. A questão é que quando eu entrei na faculdade a maioria esmagadora era de homens. “Engenharia é coisa de homem”. Parabéns para eles. E sabe, eu vi muita empresa pensando assim quando prefere contratar o cara porque ele é homem. E, bem, apenas por isso. Mas o meu post não é sobre isso, ainda.

Minha mãe sempre trabalhou. SEMPRE! Meus pais sempre trabalharam, igualmente. E os dois tem participação nas contas de casa. Minha mãe sempre foi uma excelente mãe e o fato de ela trabalhar fora nunca significou que ela não era “do lar”. Porque ela também sempre foi/é. Entende a problemática?

Meu sonho de vida era ser mulher de negócios. Sim, MULHER. Nunca quis ser homem. Aprendi que é meu aquilo que eu pago por e que está no meu nome. Então, desde pequena batia o pé dizendo que não ia casar. Para mim, não fazia sentido, de qualquer forma eu teria que conquistar tudo por minha conta mesmo, ter um marido seria apenas para inglês ver. Minha avó me questionava como eu teria filhos sem marido. Inocente ela, né? E precisa de marido pra ter filho desde quando? Até cinco minutos atrás eu também não estava muito querendo ter filhos. Hoje eu penso que talvez casar não seja tão ruim assim, na realidade deve ser muito bom construir uma vida junto com alguém. Mas mesmo com esse pensamento, acho que o que for dele, não será meu. Então, vou precisar das minhas próprias coisas. Eu tenho preguiça de ficar em casa, me dá nos nervos. Logo, passar uma vida exclusivamente dentro de casa para mim, é terrível.

PARA MIM, é! Mas para tantas não. Eu me pus muito no lugar de juíza e afirmei que mulheres, de meu conhecimento, eram loucas por casarem jovens, terem filhos. Eu queria outra coisa. Eu queria ter a minha vida antes de meter a vida de outra pessoa no meio. Mas sabe de uma coisa? Elas estão bem mais realizadas do que eu. Porque aquilo que elas queriam foi conquistado. O homem amado, os filhos. E ai? “Turn down for what”.

O que significa ser “recatada”? De acordo com o dicionário, seria uma pessoa reservada, tímida. Porém, não aprendemos com essa conotação na vida. Ser recatada nas rodas se tornou antônimo de ser “puta”. Ser recatada é aceitar tudo, ser obediente, ser submissa. Putz, tá ai um problema meu. Não consigo ser assim. E agora? Somos iguais, mano! Se você acredita na teoria criacionista ou na evolucionista, não faz diferença. Ou Eva foi criada para ser igual a Adão, daí a costela. Ou as mulheres evoluíram do mesmo primata que os homens. Deal with it.

Falei isso tudo apenas para mostrar, que a gente pode mudar de opinião. Hoje eu quero, amanhã não mais. Falei isso porque é direito de nós mulheres querermos ser o que for. De astronauta a mãe de quinze. E ninguém tem nada a ver com isso. Merecemos ser respeitadas pelas nossas próprias escolhas, seja ser “do lar” tempo integral ou ser “do lar” e trabalhar fora. Devemos ser respeitadas por nós mesmas. Dei meu próprio exemplo de como já fui preconceituosa com outras mulheres só porque elas pensam diferente de mim. Cada um tem suas escolhas e seus objetivos, vamos ser mais legais?

Vamos respeitar as pessoas, independente do sexo, da opção sexual, da cor, da conta bancária. Esse é o primeiro passo. A questão não é Feminismo X Machismo. Não é Branco X Negro. Não é Hétero X Homosseual. A questão é que somos IGUAIS! Que nos sejam dadas as mesmas oportunidades, os mesmos salários e o mesmo tratamento. Sempre com respeito.

Bela, Respeitada e do Bar.

 

Deixe uma resposta