O que se leva da vida é a vida que se leva

Acordei às 8:40 bastante chateada, diria até que triste. Levantei e tomei meu café calmamente enquanto limpava a caixa de entrada de e-mails, olhava as redes sociais, postava na página do facebook e respondia o bom dia do meu namorado, sempre tão pontual. Abri a porta para o meu cachorro sair e se divertir na grama. Depois, ainda de pijama, o levei para passear na rua. Rotina diária.

Ainda nesta manhã, li alguns capítulos de Inferno e revisei uns outros capítulos do meu próprio livro.
Tomei banho, almocei e fui trabalhar. No caminho, reclamando mentalmente é claro, acabei lendo um post no facebook que dizia: “Está cansado de trabalhar? Imagina quem está cansado de procurar emprego”. Curti e pensei um pouco sobre aquilo. Ainda no caminho para o trabalho li uns posts falando sobre como a vida é curta e como a gente não precisa de tantas coisas como pensa. Chorei por trás dos óculos escuros.

Trabalhei por sete horas. Dando aulas. Ensinei, aprendi, me aborreci com alunos desobedientes, acabei por me divertir com esses mesmos alunos. Assinei o ponto e fui embora. Não para casa, porque meu querido namorado me esperou por quase duas horas só pra me dar um “oi”. A gente conversou sobre nossos dias cansativos, sobre aqueles planos que a gente tem. Comemos coxinha! E fomos cada um para sua casa. Cheguei na minha para encontrar meus pais tranquilos e saudáveis. Meu cachorro felicíssimo em me ver.
Tomei um outro banho, coloquei um novo pijama, li mais uns capítulos de Inferno. Respondi aos amigos no Whatsapp e fui dormir.

Eu acordei triste porque eu queria ter acordado mais cedo, ter engolido um café, ficado no trânsito para chegar em um trabalho que eu nem sei se ia gostar. Um trabalho no qual eu só teria hora para entrar – mas que, teoricamente, valeria os meus anos de graduação. Tudo isso porque eu acredito que isso é o esperado. Isso que deveria acontecer. Mas será que eu estaria feliz? Eu estaria ganhando mais dinheiro, talvez. Mas será que esse dinheiro estaria me trazendo essa suposta felicidade? Não sei. Até porque hoje meus sonhos não tem nenhuma relação com um escritório, com doze horas de trabalho diário.

Então por que essa mania de me sentir inferior porque a Multinacional não me quis? Mas eu queria a multinacional? Ou eu queria o salário que ela ia me pagar? Provalmente, o último. E eu sei disso, porque no outro dia recebi uma ligação – é, uma LIGAÇÃO – de uma Multi de consultoria me questionando porque eu não tinha terminado a etapa no processo seletivo deles. Falei que não tinha tido tempo e que ia ver. A realidade é que eu simplesmente ignorei o e-mail porque sei que eles pagam mal.
Eu escrevi dois livros inteiros e estou no terceiro sem nenhuma perspectiva de ganhar dinheiro com isso. Essa é a diferença entre o que eu quero fazer e o que deveria ser sonho para mim. Não tem nenhum lugar – relacionado com engenharia e afins – que eu queira muito trabalhar. E essa deveria ser a resposta: talvez  isso não seja para mim.

Eu estou falando tudo isso para você que tá na MERDA porque todo mundo está ‘melhor’. E porque teoricamente você não chegou onde deveria chegar. Amigos, eu li o seguinte abaixo:

“O que quer que tenha acontecido é a única coisa que poderia ter acontecido.
Nada, absolutamente nada do que nós experimentamos poderia ter sido de outra maneira. Nem mesmo no detalhe menos importante. Não existe isso de “Se ao menos eu tivesse feito aquilo de maneira diferente…, então teria sido diferente…”. Não. O que aconteceu é a única coisa que poderia ter acontecido e tinha que ter acontecido para que possamos aprender nossa lição e ir em frente. Toda situação que encontramos na vida é absolutamente perfeita, mesmo quando desafia nossa compreensão e nosso ego” – Retirado do site DharmaLog

É isso. O que aconteceu, aconteceu porque deveria ser assim. Não adianta brigar contra aquilo que é pra você. E nem lutar por aquilo que nunca vai te pertencer.

Por hoje, os boletos estão pagos! Vamos seguir a procura do sonho perfeito. 😉

2 Respostas a “O que se leva da vida é a vida que se leva”

  1. Era o que eu precisava ler hoje!

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